O sol brilhava intensamente, eu podia sentir os raios ardendo sobre minha pele. Era um dia de muito calor. Cidadezinhas iam aparecendo e sumindo. Casinhas amarelas, rosas, azuis, meio desbotadas. Casas baixas, com telhado meia-água, janelinha na frente, um cachorro no portão velho de madeira e um pé de goiaba no quintal. Passavam por mim e depois ficavam distantes. Ruas de terra, de asfalto quebrado, pedregulhos e pedras.

Na minha cabeça, o destino certo era um lugar longe da cidade grande. Longe da poluição, do céu cinza, dos arranha-céus. Sem buzinas, sem fumaça, sem hora marcada. Queria sentir o ar puro da roça, escutar o canto dos pássaros, sentir aquela brisa da manhã vinda das gotas de orvalho, que ainda podiam ser vistas nas folhas maiores. A mansidão dos animais, aquele silêncio único, as plantações de fruta, aquele jeito simples e inocente da vida no campo, sem luxo e ostentação, realmente me fascinava.
Eu sabia o que queria encontrar. Seguia pela estrada a fora em busca de um paraíso idealizado apenas na minha cabeça. Continuei andando por vários lugares, por vários caminhos. A música sertaneja embalava minha andança e dava mais sentido àquele clima ameno, de terra produtiva, típico do cerrado. A moda de viola, a música caipira, a melodia simples e triste, de quem perdeu um grande amor e ainda chora por ele, enchia o meu sonho de graça e de emoção.
E foi assim que segui. Até chegar a uma cidade pequena, com água em abundância, cachoeiras altíssimas, uma igreja central e muitas pessoas, cheias de história pra contar. Passei alguns dias naquele lugar, que me fez colocar a mão na cabeça e pensar na vida. Talvez eu tenha encontrado certeza sobre algumas dúvidas e, ainda, tenha me deparado com uma realidade difícil de encarar. Mas mesmo assim, continuei idealizando aquele cenário que um dia vai fazer parte da minha volta pra casa.

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