Pausa para pensar, pausa para fazer uma retrospectiva de algumas atitudes, de coisas que estavam acontecendo. Pausa propícia também para determinada observação minuciosa de uma obra da natureza diante dos meus olhos. Foi quando, de repente, tomei um susto! Na verdade, foi um sobressalto de admiração e não de pavor. Sobre minha cabeça, passava uma revoada de gaivotas.

Tão alto e ao mesmo tempo tão baixo, parecia mesmo que elas estavam bem perto de mim. Que espetáculo! Eram muitas. Umas formavam um balé no céu, outras voavam em pares... Mas todas estavam ali, livres e juntas. Logo comecei a refletir e perguntas me vieram à cabeça: o que vem a ser a liberdade realmente? É ser livre para ir pra onde quiser? É estar desimpedido e poder sonhar? É ter asas para voar?
Confesso que naquele dia eu não estava muito bem... e pensar pelo lado positivo das coisas era um tanto quanto difícil pra mim. Tava querendo sumir do mapa, viajar sem rumo, me esconder em um lugar onde ninguém pudesse me achar. Queria ficar em silêncio! Talvez, assim, meus pensamentos pudessem se organizar melhor e ser traduzidos em palavras mo-nos-si-lá-bi-cas. Um sim ou não já era o bastante para solucionar algumas dúvidas interiores.
Ao perceber que tudo isso se aglomerava em minha mente, começara então a soltar a imaginação. A partir daquele momento, ela poderia se livrar de pré-conceitos, de preconceitos, de limites do subconsciente, de valores... Na verdade, eu resolvi dar asas à imaginação. E nem me perguntem onde ela foi parar!
A palavra ‘asas’ está intimamente ligada ao comportamento do ser humano. Asas não fazem somente animais voar, como também permitem que pessoas vaguem por aí, voem para muito longe ou para logo ali, pela imaginação. Através desse recurso humano natural podemos visitar lugares inusitados, locais fantásticos, espaços desejados e memoráveis (talvez, nem conhecidos ainda, quem sabe).
Podemos voar quando pensamos ou criamos situações novas, lembramos de momentos marcantes e temos condições, inclusive, de parar no tempo, de estar onde não se pode ir, onde não existe relógio, cronologia, nem espaço. Posso dizer mais. Dar asas à imaginação vai além de voar, porque só assim podemos revelar e concretizar os desejos mais íntimos e ínfimos... Sobretudo, sonhar.
Depois de tantos rasantes e 'planagens', enfim, coloquei os pés no chão e me deparei com uma realidade dura. Em alguns minutos minha cabeça processou imagens e lembranças de situações vividas que não estavam me agradando muito. Então não permiti que minhas asas levantassem vôo outra vez. Estava exausta. Não queria mais voar...

3 comentários:
Voa!
E viva o Fernão Capelo Gaivota!!
=)
Isso é que é nostalgia: ler suas cartinhas novamente! ;)
Nos vemos por aí, eu espero. Okey !? ;)
bj bj
'Na verdade, eu resolvi dar asas à imaginação. E nem me perguntem onde ela foi parar!'
Te amo!
^^
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