segunda-feira, 7 de abril de 2008

"Ter ou não ter namorado"

Penso que, nessa vida, nada acontece por acaso e, de fato, essa tecnologia tem lá seus benefícios. Acredito até que um simples e-mail encaminhado quinhentas vezes e que já passou por muitos chega até você por causa de um único objetivo. Mesmo sem saber qual.

E foi exatamente isso que me aconteceu hoje. Recebi algumas linhas de Artur da Távola, pseudônimo de um político e jornalista brasileiro que ainda faz história no País. Muito interessante e surpreendente, o texto parecia me dizer algo que ontem mesmo buscava respostas (e talvez, mais indagações). Confiram!

“Quem não tem namorado é alguém que tirou férias não remuneradas de si mesmo. Namorado é a mais difícil das conquistas. Difícil porque namorado de verdade é muito raro. Necessita de adivinhação, de pele, saliva, lágrima, nuvem, quindim, brisa ou filosofia. Paquera, gabiru, flerte, caso, transa, envolvimento, até paixão, é fácil.
Mas namorado, mesmo, é muito difícil. Namorado não precisa ser o mais bonito, mas ser aquele a quem se quer proteger e quando se chega ao lado dele a gente treme, sua frio e quase desmaia pedindo proteção. A proteção não precisa ser parruda, decidida; ou bandoleira, basta um olhar de compreensão ou mesmo de aflição.
Quem não tem namorado é quem não tem amor, é quem não sabe o gosto de namorar. Há quem não sabe o gosto de namorar! Se você tem três pretendentes, dois paqueras, um envolvimento e dois amantes; mesmo assim pode não ter nenhum namorado.
Não tem namorado quem não sabe o gosto de chuva, cinema sessão das duas, medo do pai, sanduíche de padaria ou drible no trabalho. Não tem namorado quem ama sem alegria. Não tem namorado quem faz pacto de amor apenas com a infelicidade.
Namorar é fazer pactos com a felicidade ainda que rápida, escondida, fugidia ou impossível de durar. Não tem namorado quem não sabe o valor de mãos dadas; de carinho escondido na hora em que passa o filme; de flor catada no muro e entregue de repente; de poesia de Fernando Pessoa, Vinícius de Moraes ou Chico Buarque lida bem devagar; de gargalhada quando fala junto ou descobre meia rasgada; de ânsia enorme de viajar junto para a Escócia ou mesmo de metrô, bonde, nuvem, cavalo alado, tapete mágico ou foguete interplanetário.
Não tem namorado quem não gosta de dormir agarrado, de fazer cesta abraçado, fazer compra junto.
Não tem namorado quem não gosta de falar do próprio amor, nem de ficar horas e horas olhando o mistério do outro dentro dos olhos dele, abobalhados de alegria pela lucidez do amor.
Não tem namorado quem não redescobre a criança própria e a do amado e sai com ela para parques, fliperamas, beira - d'água, show do Milton Nascimento, bosques enluarados, ruas de sonhos ou musical da Metro. Não tem namorado quem não tem música secreta com ele, quem não dedica livros, quem não recorta artigos; quem gosta sem curtir; quem curte sem aprofundar. Não tem namorado quem nunca sentiu o gosto de ser lembrado de repente no fim de semana, na madrugada, ou meio-dia do dia de sol em plena praia cheia de rivais. Não tem namorado quem ama sem se dedicar; quem namora sem brincar; quem vive cheio de obrigações... Não tem namorado quem confunde solidão com ficar sozinho e em paz. Não tem namorado quem não fala sozinho, não ri de si mesmo e quem tem medo de ser afetivo. Se você não tem namorado porque não descobriu que o amor é alegre e você vive pesando duzentos quilos de grilos e medos.

Ponha a saia mais leve, aquela de chita e passeie de mãos dadas com o ar. Enfeite-se com margaridas e ternuras e escove a alma com leves fricções de esperança. De alma escovada e coração estouvado, saia do quintal de si mesmo e descubra o próprio jardim. Acorde com gosto de caqui e sorria lírios para quem passe debaixo de sua janela. Ponha intenções de quermesse em seus olhos e beba licor de contos de fada. Ande como se o chão estivesse repleto de sons de flauta e do céu descesse uma névoa de borboletas, cada qual trazendo uma pérola falante a dizer frases sutis e palavras de galanteria.

Se você não tem namorado é porque ainda não enlouqueceu aquele pouquinho necessário a fazer a vida parar e de repente parecer que faz sentido.”


Depois de tantas palavras, descobri que ter namorado não é apenas ter alguém ao seu lado fisicamente, mas é ter alguém especial que desperte o que há de mais belo em seu interior. É deixar o sentimento mais profundo te levar para longe. É permitir que os sonhos transformem o amor em magia e a felicidade aconteça nas mínimas coisas.

No fim disso tudo, percebi que podemos ter um namorado mesmo estando sozinhos. Porque o que vale mesmo é o que está no coração, na mente e nas ações. Ou nas peripécias e nas loucas aventuras de um ser apaixonado.

4 comentários:

Antônio Padilha disse...

Muito bom, né? Io sono inamoratto. Sempre.

Beijo!

Anônimo disse...

Gostei do texto linguagem simples e cativante!
e a cada momento a gente se vê entre linhas!
Muito bom mesmo!

Anônimo disse...

...não tem namorado quem ainda não encontrou a pessoa certa e está disposta a pagar o preço da solidão para não perder mais tempo... RR Cunha! Artigo interessante. Recomendo! :)

Anônimo disse...

Tens um estilo e tão doce e suave...parabéns...